terça-feira, 20 de abril de 2010

Fera Domada

A gangorra hormonal antes da menstruação inferniza a vida de seis em cada dez brasileiras -para não falar nos homens à sua volta, que muitas vezes sofrem por tabela os efeitos da coisa. A popularidade da tensão pré-menstrual, ou simplesmente TPM, está cientificamente comprovada: a expressão faz parte do vocabulário de quase todas as mulheres.

Nervosismo e ansiedade são os principais sintomas relatados por elas: 76,4% das mulheres que têm TPM sofrem esse tipo de problema. Mais da metade delas têm alterações de humor e crises de choro, a metade delas sente cólicas fortes e pouco mais de um terço relata dor e inchaço nos seios.

As constatações são de um estudo feito pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e pelo Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas. Durante pouco mais de um ano, os pesquisadores entrevistaram pessoalmente 1.053 mulheres entre 18 e 40 anos, de seis capitais brasileiras.

Os resultados foram publicados na revista científica "International Journal of Gynecology and Obstetrics" e mostram uma realidade que não poderia ser diferente: 65,4% das entrevistadas consideraram que todas as mulheres em algum momento da vida já experimentaram a TPM e 87,5% confirmaram que os sintomas acontecem antes da menstruação.
Hipócrates, o médico grego, relatou as alterações hormonais no ano 400 a.C., mas as primeiras descrições oficiais da TPM só apareceram em 1931. Estudos epidemiológicos brasileiros nunca foram feitos -o que havia até agora eram pequenos trabalhos localizados.

"O ineditismo desse trabalho está em traçar o perfil da mulher moderna. Trata-se de um raio-x sério do problema, que foi feito com rigor científico e incluiu mulheres de todas as regiões do país", diz o ginecologista Carlos Alberto Petta, professor da Unicamp e autor principal do levantamento.

Alternativas

O problema é comum, mas não dá para generalizar. Há mulheres que não têm TPM. Segundo a pesquisa, essas sortudas são 40% da população.

Existem três graus do problema: leve (45% das mulheres), moderado (45%) e intenso (10%). Nesse último grau, a TPM também é chamada de transtorno disfórico e considerada uma doença, que necessariamente deve ser tratada com medicamentos.

Mas esse tipo de distúrbio intenso -tratado em geral com antidepressivos e anticoncepcionais-, é raro. Na maioria dos casos, dá muito bem para aliviar os sintomas que aparecem nos dias que antecedem a menstruação com uma série de atitudes simples relacionadas a alimentação, atividades físicas e outras saídas naturais.

ISTO AJUDA

CHÁ DE CAMOMILA
E de maracujá são consagrados para aliviar crises nervosas e promover uma sensação de relaxamento. São ideais para mulheres com sintomas de ansiedade e nervosismo. Já a erva-de-são-joão (Hypericum perforatum) é indicada para mulheres que apresentam sintomas depressivos

ÓLEO DE PRÍMULA
Seu princípio ativo é o ácido linoleico, um tipo de ácido graxo essencial para o bom funcionamento do organismo. Mesmo sem comprovação científica dos benefícios, é um produto natural, que melhora o trânsito intestinal e diminui o inchaço do corpo. É administrado em cápsulas

CASTANHAS
São uma importante fonte de ácidos graxos ômega-3, 6 e 9. Também são ricas em vitamina B6, um nutriente que tem participação no controle dos níveis de serotonina, neurotransmissor relacionado ao bem-estar, além de combater as náuseas, a acne, as dores de cabeça e a irritabilidade

FRUTAS
Mulheres com tensão pré-menstrual podem apresentar níveis baixos de magnésio. A ingestão de ALIMENTOS ricos nesse nutriente, como a banana, o figo e os frutos do mar, nesse período, podem contribuir para compensar essas deficiências ao elevar os níveis de serotonina

IOGA
A prática de ioga atenua o desconforto físico e a instabilidade emocional. Há posições que relaxam e abrem a região do ventre, facilitando o fluxo menstrual e aliviando as cólicas. Anderson Allegro, da escola Aruna Yoga, diz que a instabilidade emocional pode ser contornada com a técnica de Yoga Nidra, o relaxamento profundo.
Uma série de exercícios respiratórios (os pranayamas) também reduz o desconforto. "Inspiramos contando de um a três, retemos o ar contando de um a três novamente. Expiramos contando, agora, de um a seis", ensina. A prática regular da ioga também ajuda a equilibrar o sistema endócrino, fazendo com que as alterações hormonais se tornem menos intensas, diz Allegro

BOLSA DE ÁGUA QUENTE
Conforto que passa de mãe para filha, a bolsa reduz dores e desconfortos abdominais, como a cólica menstrual, relatada por 45% das mulheres. "Ela proporciona uma sensação de relaxamento semelhante a um banho morno", diz o ginecologista Cláudio Basbaum, do hospital São Luiz

VERDURAS
Não existem evidências científicas sobre efeitos específicos desses alimentos. Mas ingerir folhas escuras, nozes e cereais integrais (todos ricos em magnésio) pode provocar um aumento da serotonina, neurotransmissor que está em baixa durante a TPM e que contribui para a melhoria da autoestima e das oscilações do humor

ACUPUNTURA
Entre as alternativas não-medicamentosas para o alívio da TPM, a acupuntura é a mais recomendada. Segundo a médica acupunturista Angela Tabosa, da Unifesp, ela atua de duas formas: energicamente -as cólicas seriam uma estagnação de energia na pelve e, assim, a acupuntura restabeleceria a circulação energética, diminuindo a dor- e por meio da ação analgésica, que possui resultados científicos comprovados

FIBRAS
Alimentos como arroz integral, aveia, gérmen de trigo e pães integrais ajudam a regular o intestino e proporcionam a sensação de saciedade. Assim, segundo a Nutricionista Thaís Seabra, a mulher acaba consumindo menos açúcares simples e gorduras -alimentos que, em excesso, colaboram para piorar os sintomas da TPM

EXERCÍCIOS AERÓBICOS
A prática regular de atividades físicas também ajuda a driblar a TPM. Fazer exercícios aeróbicos (correr, dançar, pedalar) três vezes por semana por ao menos 30 minutos tem um resultado próximo ao dos medicamentos: alivia em cerca de 40% os sintomas, diz Aline Polanczyk, do ambulatório de TPM da PUC- RS. As atividades de ritmo aceleram o metabolismo e aumentam a produção de endorfinas -que trazem relaxamento e bem-estar

LEITE E DERIVADOS
São ricos em cálcio e ajudam a reduzir o desconforto e as dores no corpo. Ingerir leite e derivados favorece a absorção de magnésio -o que eleva os níveis de serotonina no organismo. Mas há um porém. Queijos muito gordurosos e salgados (como parmesão, gongonzola e brie) são desaconselhados. Os mais indicados são ricota fresca e minas

MASSAGEM E DRENAGEM
Um dos nós da TPM é a retenção de líquido. A drenagem linfática é uma massagem que estimula a circulação da linfa (que carrega as toxinas acumuladas), para que ela seja eliminada pelo suor ou pela urina. "Além de auxiliar na eliminação do líquido, a drenagem também é relaxante. Muitas mulheres aumentam o número de sessões quando entram no período da TPM", diz a fisioterapeuta Maria Teresa Bicca Dode, da Clínica Hara

ISTO ATRAPALHA

SAL
O excesso de sal favorece a retenção de líquido e o inchaço, o que contribui para sintomas clássicos da TPM. Alguns alimentos, como melancia, agrião e aspargo, ajudam a eliminar água do corpo, reduzindo o inchaço

ÁLCOOL
Além de aumentar a instabilidade emocional, o consumo de bebidas alcoólicas também pode elevar a probalidade de a mulher apresentar dor de cabeça, fadiga, insônia e até mesmo depressão

CHOCOLATE
Apesar de proporcionar uma sensação de bem-estar no início (devido ao aumento da serotonina), o excesso de chocolate tem efeito contrário e piora os sintomas (porque tem substâncias comprovadamente excitantes)

CAFEÍNA
Café, chá-preto e alguns refrigerantes aumentam a ansiedade, a insônia e a instabilidade emocional. Assim, recomenda-se evitar esse tipo de bebida, pois elas são excitantes do sistema nervoso central.
Fonte: CFN

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Aprovado projeto que obriga alimentos saudáveis nas escolas

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou ontem o Projeto de Lei 127/07, do deputado Lobbe Neto (PSDB-SP), que obriga as creches e escolas do nível fundamental a substituir, em suas dependências e para os fins de comercialização, os alimentos não saudáveis por alimentos saudáveis, conforme critérios a serem estabelecidos por autoridades sanitárias. O projeto vale para estabelecimentos públicos e privados. Aprovada em caráter conclusivo, a proposta segue para o Senado.

Conforme a proposta, os estabelecimentos não poderão oferecer alimentos não saudáveis em suas dependências, sob nenhum pretexto, nem fazer propaganda deles. Os estabelecimentos infratores estarão sujeitos às penas previstas na Lei 6.437/77, que define as infrações à legislação sanitária federal. As penas vão desde advertência e multa ao fechamento do estabelecimento infrator.

Doenças - Lobbe Neto destaca que o aumento da taxa de obesidade infanto-juvenil tem provocado maior incidência de doenças como diabetes e hipertensão, ocorrência de cáries e disfunções do aparelho gastrointestinal. Ele lembra, por exemplo, que obesidade e diabetes já foram consideradas doenças típicas de idades mais avançadas.

Na avaliação do parlamentar, uma das causas mais evidentes dessa situação é a mudança dos padrões alimentares e de recreação da população jovem. "O consumo de guloseimas, refrigerantes, frituras e outros produtos calóricos não nutritivos, preparados com conservantes, tem sido um fator determinante responsável pelas doenças precoces e outras insuficiências enfrentadas pela população infanto-juvenil." Lobbe Neto acrescenta que muitas crianças e jovens deixaram de brincar e praticar esportes nas ruas e locais públicos em razão da falta de segurança. "A escola não pode se isentar de responsabilidade. Pelo menos durante o tempo em que estão na escola, nossas crianças e jovens devem estar livres da pressão e tentação de consumo de produtos inadequados ao seu desenvolvimento saudável", afirmou. A proposta foi aprovada na forma do parecer do relator, deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), que fez ajustes de redação.





Fonte: CFN

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Alimentação pode proteger contra Alzheimer

Estudo indica que uma alimentação rica em azeite de oliva, nozes, peixes e algumas frutas e vegetais pode proteger contra o Alzheimer, mostra uma pesquisa da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, que acaba de ser publicada no periódico científico "Archives of Neurology".

Para chegar ao resultado, os cientistas colheram informações de 2.148 voluntários com mais de 65 anos, avaliados durante quatro anos. A cada 18 meses, eles eram testados para detectar o Alzheimer.

Os pesquisadores observaram que aqueles que consumiam maior quantidade de alimentos como tomates, vegetais de folhas verde-escuras e crucíferos (como o brócolis) tiveram um risco 40% menor de desenvolver a doença. Sabe-se que esses alimentos são ricos em ácidos graxos ômega 3 e 6 e vitaminas E e B12, nutrientes relacionados a efeitos benéficos no cérebro. A dieta dessas pessoas também era pobre em carnes vermelhas e laticínios como a manteiga, ricos em gorduras saturadas.

Prevenção

Segundo os autores, a alimentação pode ser um meio eficaz de modificar o risco da doença. A prevenção nesse caso é essencial, já que o Alzheimer ainda não tem cura. Os tratamentos atuais apenas conseguem amenizar os sintomas.

"Os benefícios da alimentação estão mais relacionados ao papel dos antioxidantes que evitam a deposição de radicais livres nos neurônios", explica o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo. Isso provoca a morte dessas células, levando a doenças como o Alzheimer. "No entanto, o estresse também tem um papel no desenvolvimento dessas doenças", lembra o neurologista.

O artigo sugere ainda um outro mecanismo para explicar o efeito benéfico dos ALIMENTOS: o consumo de nutrientes capazes de proteger contra doenças cardiovasculares pode evitar derrames que tornam a pessoa mais suscetível a desenvolver demências.


Fonte: CFN

terça-feira, 13 de abril de 2010

Brasileiros comem mais frutas e hortaliças

O Ministério da Saúde publicou no dia 6 de abril de 2010, os resultados do levantamento anual sobre a alimentação do brasileiro e o hábito de fazer atividade física, o Vigitel. Os dados foram apurados no período de 12 de janeiro a 22 de dezembro de 2009, e apontaram o aumento do consumo de frutas e hortaliças no Brasil e a queda do número de pessoas que praticam exercícios físicos.

O estudo revela que 30,4% da população com mais de 18 anos estão consumindo frutas e hortaliças cinco ou mais vezes na semana. E 18,9% consumiram cerca de cinco porções diariamente em 2009 - 2,6 vezes mais que o registrado em 2006, 7,1%.

Informações preocupantes também foram encontradas pelo estudo. Uma delas é o aumento do consumo de alimentos com alto teor de açúcar e gordura bem como o de sedentários no país. Em contrapartida, houve queda de 15,8% no consumo de carnes vermelhas gordurosas ou pele de frango. Em 2009, 33% dos adultos comiam carnes com excesso de gordura contra 39,2% em 2006.

Para a coordenadora-geral de Doenças e Agravos Não transmissíveis do Ministério, Deborah Malta, a mudança de hábitos alimentares pode ser atribuída às políticas de incentivo à alimentação saudável. O CFN, em suas sucessivas campanhas publicitárias, tem enfatizado a importância da reeducação alimentar e incentivado a população a consultar um nutricionista para obter orientações sobre o adequado consumo dos alimentos para a promoção da saúde.

Fonte: CFN (dado publicado em 09/04/2010)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Situação da alimentação na terceira idade

Durante a terceira idade, algumas necessidades nutricionais encontram-se aumentadas, ao mesmo tempo em que há maior dificuldade em manter uma alimentação completa e balanceada, devido á alguns agravos dessa fase, assim como dificuldade de acesso, preparo e até consumo de alimentos.

Uma vez que essa população vem aumentando nos últimos anos, os estudos relacionados ao consumo alimentar e estado de saúde entre os idosos, têm sido objeto de diversas pesquisas, com o objetivo de melhorar a saúde e qualidade de vida dessa população.

Estudo recente visou estimar os fatores socioeconômicos e sociodemográficos associados ao consumo diário de cinco porções de frutas e hortaliças por idosos de baixa renda residentes na cidade de São Paulo. Os resultados indicaram que esse consumo mostrou-se insuficiente em relação ás recomendações da Organização Mundial da Saúde, estando relacionada a condições socioeconômicas desfavoráveis.

Outro estudo visou estimar as prevalências de comportamentos prejudiciais à saúde e de outros fatores de risco cardiovascular entre idosos, levando em conta a hipertensão. Os resultados sugerem que, exceto tabagismo, os comportamentos prejudiciais à saúde entre idosos persistem após o diagnóstico da hipertensão arterial.

De acordo com os dados dos estudos, a população idosa necessita de cuidados especiais em relação á alimentação e qualidade de vida, sendo de grande importância, além da atenção das famílias, medidas governamentais em relação ao acesso a alimentação saudável e saúde, fornecendo condições de vida adequada á terceira idade.




Fonte: Nutrição em Pauta

terça-feira, 6 de abril de 2010

Implicações do Ato Médico para a profissão de Nutricionista

O CFN está trabalhando (Fórum Entidades Nacionais dos Trabalhadores da Saúde - FENTAS) para derrubar o Ato Médico no Congresso Nacional. Mas a principal mudança será a proibição da autonomia dos demais profissionais da saúde, que podem passar a atuar apenas por determinação de um médico. Isso rompe com todos os direitos e deveres que possuímos na regulamentação da nossa profissão, explica Dra Rosane Nascimento. Não podemos precisar quais as reais mudanças na atuação dos Nutricionistas, pois isso terá relação direta com a forma com que os Conselhos Federal e Regionais de Medicina estarão utilizando essa legislação. Não sabemos se haverá cerceamento à atuação dos demais profissionais da saúde.

O CREMEMG, por exemplo, defende a regulamentação do Ato Médico, alegando que nos últimos anos surgiram várias profissões na área da saúde, com leis que regulamentam as suas categorias, o que não ocorre com os médicos. Que não há pretensão de interferir, ou até mesmo coibir a atuação de outros profissionais. Relata a necessidade de ser definido claramente quais são os limites de atuação do profissional de Medicina, e que atos podem, ou não, ser compartilhados com outros profissionais, à luz da ética e do conhecimento científico e respeitando as esferas de competência de cada um, complementa Dra. Solange de Oliveira Saavedra - Gerente Técnica CRN-3.

O nutricionista tem um papel importante nos procedimentos de proteção e prevenção da saúde e recuperação de doenças. Em sua atuação profissional, realiza diagnósticos nutricionais, que é uma avaliação do estado nutricional, onde é diagnosticada a condição nutricional de indivíduos e de coletividades. A partir daí são realizados procedimentos terapêuticos de recuperação de determinada condição de debilitação. Se olhamos do ponto de vista unicamente da doença, o diagnóstico clínico patológico é certamente uma ação privativa do médico. Entretanto o tratamento não se dá apenas a partir disto ou através de medicamento, mas de um atendimento psicológico, nutricional ou fisioterápico, dentre outros. Se em sua atuação o nutricionista estiver impedido de realizar procedimentos como a solicitação de um exame, a prescrição de uma suplementação alimentar de vitaminas, minerais e nutrientes, ou seja, se isto tiver que ser autorizado pelo médico, haverá sérias implicações nas relações de trabalho.

No caso, por exemplo, de uma cirurgia gástrica ou intestinal é o médico gastroenterologista quem fará os procedimentos; mas a recuperação nutricional deste paciente é competência do nutricionista. Programas, como o de Sisvan – Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, Bolsa Alimentação e programas de recuperação de desnutridos compreendem ações que envolvem a nutrição e o nutricionista. Implementar a proposta do Ato Médico significará estabelecer uma hierarquia médica que exigirá uma revisão do processo de trabalho hoje em curso. Ações privativas do nutricionista, ou que têm interseção com a medicina, relacionadas à área clínica e saúde pública, sofreriam alterações.

Como exemplo pode-se citar o atendimento a uma criança muito desnutrida, que traz uma história de consumo alimentar baixo, vive em área de risco nutricional, onde se apresentam problemas de saneamento básico – água e esgoto não tratados. No atendimento a esta criança é necessária a solicitação de exames para proceder à avaliação nutricional: uma medida de hemoglobina, ferro ou vitamina A. Igualmente pode ser importante um exame parasitológico para observar se o quadro do paciente apresenta associação com outras doenças. Se este procedimento não puder ser realizado, a criança então será encaminhada primeiramente a um pediatra ou outro profissional médico para que seja feita a solicitação de exame e só então adotar o tratamento adequado. E esta burocracia, que prolongaria o tempo de tratamento, é apenas parte do problema, já que possivelmente a classe médica não teria condições de atender toda a demanda que seria criada e nem possui formação para realizar determinados procedimentos específicos de outras profissões.


Sendo assim, o Ato Médico destruiria o modelo de atendimento multidisciplinar, dado que estabelece uma dependência das demais profissões à medicina. Seria regredir a um período anterior a 1986, quando existia um modelo centralizado no médico e na doença. A VIII Conferência Nacional de Saúde definiu um outro patamar de relação de saúde – seja no que se refere a serviços, modelo de assistência, de recursos humanos, de financiamento etc.. Iria, pois, contra a concepção de equipe interdisciplinar, multiprofissional , onde cada categoria tem a sua competência, esclarece Dra Lucia Andrade - Presidente do CRN-4.



Fonte: http://www.nutricaoempauta.com.br

domingo, 4 de abril de 2010

ATO MÉDICO



O Que é o Ato Médico ?
O Ato Médico é o Projeto de Lei do Senado 025/2002, que estabelece que todos os procedimentos diagnósticos ou terapêuticos que envolvam a prevenção e os cuidados da atenção primária, secundária e terciária são restritos e de responsabilidade do médico, explica a Dra Rosane Nascimento, Presidente do CFN. Este Projeto de Lei restringe a atuação dos profissionais de saúde (exceção feita aos dentistas e médicos veterinários) e hierarquiza os procedimentos da área de saúde, subordinando seu trabalho aos profissionais médicos, complementa Dra Lúcia de Andrade, Presidente do CRN4.

Prós e Contras deste Projeto de Lei para os Profissionais e a População

Nenhum efeito positivo deste Projeto de lei pode ser apontado, principalmente, para a população que será duramente prejudicada, pois sempre que precisar dos serviços especializados de um nutricionista, psicólogo ou qualquer outro tratamento terapêutico da área de saúde, terá que recorrer a um médico que poderá fazer ou não, a indicação de um desses profissionais. O Ato Médico compromete as atribuições e autonomia das demais profissões da Saúde violando um dos princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS), que é a integralidade da assistência aos cidadãos e a interdisciplinaridade do atendimento integral, explica a Dra Rosane Nascimento, Presidente do CFN.
Existem várias alegações de entidades médicas de que o referido Projeto de Lei não é corporativista, porém não é esse o entendimento dos demais profissionais da área da saúde. Por isso, várias entidades das categorias da saúde, bem como profissionais autônomos, tem-se mobilizado para repudiar o referido Projeto, encaminhando moções de repúdio, através de e-mail aos Senhores Senadores.

Não sabemos dizer, neste momento, quais os prós e contras, caso o referido Projeto de Lei seja transformado em Lei Federal, pois a legislação em questão é muito sucinta, o que pode permitir amplas interpretações no dia-a-dia do exercício profissional, completa Dra. Solange de Oliveira Saavedra - Gerente Técnica do CRN-3.

Caso o Projeto seja aprovado, o nutricionista como os demais profissionais de saúde: não poderá encaminhar, solicitar parecer, ou solicitar exames laboratoriais para acompanhamento do paciente; não poderá definir diagnóstico nutricional e o seu tratamento para o cliente/paciente; não poderá ser responsável por programas de saúde, mesmo que sejam especificamente voltados para a área de alimentação e nutrição, dado que a coordenação será sempre do médico, completa Dra Lucia Andrade - Presidente do CRN-4.

Entidades à Favor e Contra o Projeto de Lei

As entidades contrárias são as que integram o FENTAS, ou seja, Conselhos Federais de Nutricionistas, Fonoaudiólogos, Psicólogos, Assistentes Sociais e Enfermeiros, estas profissões terão seus direitos profissionais violados com o Ato Médico, explica Dra Rosane Nascimento, Presidente do CFN.

De acordo com Dra Lucia Andrade, informações estão sendo recebidas pelo CRN-4 de todo o país. Todas as entidades e representações de profissionais atingidos são contrários ao Ato Médico - os únicos favoráveis são as entidades de medicina. Entretanto, vários médicos vêm se manifestando contra esta iniciativa.

Fonte: http://www.nutricaoempauta.com.br